AO VOLANTE DO SKODA ENYAQ IV 80: REVOLUÇÃO SILENCIOSA

A razão é simples: o Enyaq iV usa o o mesmo compêndio técnico e tecnológico que os recém-lançados Volkswagen ID.3 e ID.4, ou seja a plataforma MEB para automóveis 100% elétricos, o que permite assim aproveitar na totalidade o espaço a bordo e as funcionalidades de tecnologia e de construção que são inerentes à Skoda.

Na apresentação nacional da gama, pudemos ‘sentir o pulso’ ao Enyaq iV 80, ou seja, a mais potente e de maior autonomia. Recorrendo a uma bateria de 82 kWh (77 kWh úteis), esta versão assume-se como a mais potente no lançamento, com 150 kW (204 CV) e 310 Nm de binário máximo, números que lhe garantem uma facilidade de desempenho assinalável, sem que seja um velocista nato como outros modelos elétricos que se dedicam também a ser meio desportivos. Ainda assim, nas cerca de três dezenas de quilómetros que pudemos efetuar, o Enyaq iV demonstrou-se eclético na abordagem, acelerando com vivacidade e recuperando velocidade sem queixumes. A aceleração dos zero aos 100 km/h cumpre-se em 8,6 segundos.

Além de maior potência, a versão 80 está equipada ainda com a bateria de maior capacidade, o que lhe permite anunciar uma autonomia WLTP de 537 quilómetros, sendo que ao longo do percurso algumas circunstâncias como o ar condicionado ou o estilo de condução fizeram o valor apresentado no painel de instrumentos mostrar alguma flutuação – entre os 430 quilómetros e os 560 quilómetros em diferentes momentos. A regeneração ajuda a repor energia na bateria e tem uma atuação eficaz.

Como acontece em outros modelos da marca, o Enyaq iV está disponível com seleção do modo de condução. São seis modos (Eco, Eco+, Conforto, Normal, Desportivo e Individual) que o utilizador pode usar não só para controlar a resposta do veículo ao acelerador, mas também o binário disponível, a velocidade máxima e a intensidade do ar condicionado. O modo Eco+ chegará depois, sendo atualizado pela marca, de acordo com informações do importador nacional. Assim, o nosso percurso foi feito quase inteiramente em modo ‘Eco’, apenas usando o modo ‘Sport’ por um breve período para aquilatar da diferença – notória – em termos de respostas.

Quanto ao consumo, a média dos nossos 28 quilómetros retribui um valor de 20.2 kWh/100, o que se é elevado se deve também ao facto de a condução não ter obedecido a grandes parâmetros de poupança…

No comportamento, há um bom compromisso entre agilidade e conforto, ainda que o amortecimento se sinta firme nalguns pisos mais rudes (as jantes de 21 polegadas terão a sua contribuição neste aspeto), ajudando por outro lado a conter os movimentos da carroçaria em curva. A posição de condução é elevada, mas bastante correta.

Espaço a bordo

No interior, a enormidade do espaço combina-se com a tecnologia minimalista, destacando-se no tablier o painel tátil com 13 polegadas, que congrega a grande maioria das funcionalidades do veículo, desde a multimédia, à climatização, passando ainda pela navegação ou aplicações de conectividade. À frente do condutor está um ecrã de 5.3 polegadas de aparência mais simples e configurável, complementado por um ‘head-up display‘ que coloca no para-brisas as principais informações de condução. Um dos pontos fortes é o sistema opcional de realidade aumentada que é igualmente projetado no para-brisas, dando as indicações da navegação de forma mais detalhada.

Na construção, uma vez mais, a solidez irrepreensível que já é norma nos automóveis da marca checa, a que se juntam diversas soluções de funcionalidade ao abrigo da filosofia ‘Simply Clever’, como a do chapéu de chuva na porta, o raspador de gelo, o Pack Sleep para facilitar as dormidas em viagem nos bancos traseiros ou o local para esconder o cabo de carregamento sob o piso da bagageira. A Skoda aponta ainda diversos locais de arrumação no habitáculo que reforçam a sua funcionalidade, como por exemplo os espaços para as garrafas de 1,5 litros nas portas. A bagageira, com portão elétrico, também se destaca pelos seus 585 litros de capacidade, que pode chegar aos 1710 litros com o rebatimento dos encostos traseiros.

Entrando agora nas contas, o preço para esta versão é de 46.440€, de acordo com a Skoda, o que começa a fazer dos elétricos de longo alcance uma proposta acessível para uma maior quantidade de bolsas. Porém, como muitas vezes sucede, a versão que pudemos ensaiar contava com um ‘carregamento’ de equipamento opcional que aumentava o custo final para os 59.785€, com destaque para o sistema de carregamento da bateria DC de 125 kW (540€), o Pack Drive Sport Plus (975€), as jantes de 21 polegadas (1395€) ou o Pack Infotainment Plus (1690€).

Em suma…

Com o Enyaq iV, a Skoda põe em marcha o seu plano revolucionário de eletrificação total, que havia anteriormente sido anunciado com o Octavia iV (híbrido plug-in), recorrendo aos componentes do grupo para conceber aquele que é um modelo digno de registo no cada vez mais populado universo dos elétricos. Com a aceitação a decorrer a bom ritmo, a marca checa já tem a sua alocação inicial de modelos para Portugal praticamente esgotada, esperando-se pois que a fábrica de Mladá Boleslav, na República Checa, onde será produzido, acelere o seu passo para responder à procura.

FICHA TÉCNICA

Skoda Enyaq iV 80

Motor Elétrico de íman permanente, posição traseira

Potência 150 kW/204 CV

Binário 310 Nm

Transmissão Caixa automática; tração traseira

Aceleração 0-100 km/h 8,6 segundos

Velocidade máxima 160 km/h

Consumo médio WLTP N.D.

Emissões médias CO2 WLTP 0 g/km

Autonomia (WLTP) 537 km

Carregamento 7h30 de 0-100% a 11 kW (AC); 70 min. de 5-80% a 50 kW (DC) ou 38 min a 125 kW (DC) opcional

Dimensões (C/L/A) 4649/1879/1616 mm

Distância entre eixos 2765 mm

Peso 2042 kg

Bagageira 585-1710 litros

Pneus (série) 235/55 R19

Preço 46.440€ (série)

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